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30 de jul. de 2011

Diagnóstico Médico: do exame físico e da anamenese

Diagnóstico Médico Exame Físico Anamenese: "
O diagnóstico médico envolve três elementos básicos: a história obtida do paciente, os sinais detectados no exame físico e os resultados da investigação complementar. Apesar do surgimento de novos e precisos exames laboratoriais e de imagem, é fundamental manter a busca dos dados semiológicos na sua profundidade, obtendo uma história clínica minuciosa e um exame físico detalhado, na busca de possíveis alterações sugeridas pela anamnese. Uma abordagem que integre os três elementos para um diagnóstico acurado é fundamental.
A ênfase na história clínica bem dirigida deve ser feita na abordagem inicial, onde começa o estabelecimento da relação médico-paciente, outro elemento chave no processo de diagnóstico e tratamento médico.
No estudo de Hampton et al (1) em pacientes ambulatoriais, a concordância do diagnóstico inicial obtido através da anamnese com o diagnóstico definitivo foi de 82,5%, sendo o exame físico e o laboratório elementos fundamentais para o diagnóstico em apenas 8,6% dos pacientes, respectivamente. Também no estudo prospectivo de Roshan e Rao (2), a história clínica levou ao diagnóstico correto em 78,6% dos pacientes, o exame físico em 8,2% e a avaliação laboratorial em 13,27% dos casos, em nível ambulatorial. Nesse estudo, em uma escala de 0 a 10, a confiabilidade para o diagnóstico correto aumentou de 6,36 após a anamnese para 7,57 após o exame físico, e para 9,84 após os resultados laboratoriais.
Estes dados não diminuem a importância do exame físico completo e detalhado e de exames complementares selecionados, mas ressaltam que os três grandes elementos do diagnóstico clínico - anamnese, exame físico e investigação complementar – têm a sua relevância e limitações em cada etapa da investigação médica, e em cada contexto clínico específico.

1. CONTEÚDOS

1.1. RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE
É o vínculo que se estabelece entre o médico e a pessoa que o procura, estando doente ou não. São aspectos fundamentais desta relação bilateral:
Ø O paciente deseja ser ouvido
Ø O paciente não é uma doença, mas um indivíduo doente (compreensão do todo)
Ø O paciente necessita de informações
Ø Usar linguagem compreensível na comunicação com o paciente e sua família
Ø O paciente espera competência de seu médico
Ø Princípios da Bioética: beneficiência, não-maleficiência, justiça e autonomia
Ø Respeitar a liberdade individual para decisões diagnósticas e terapêuticas
Ø Sigilo das informações
Ø Evitar juízo de valor
Ø Evitar que sentimentos pessoais prejudiquem o atendimento
Ø Envolver a família no manejo da doença



1.2. ANAMNESE
1.2.1. Técnicas de entrevista: método hipotético-dedutivo, reconhecimento de padrões.
1.2.2. Estrutura da anamnese:
1. Identificação:
Nome, idade, sexo, cor, estado civil, profissão, naturalidade, procedência
Registrar a fonte da história (paciente, acompanhante)
2. Queixa(s) Principal(ais):
Sucintamente registrar(s) o motivo(s) que levou(aram) o paciente ao médico ou hospital
3. História da Doença Atual:
Descrição cronológica e organizada dos fatos que trouxeram o paciente ao médico/hospital, incluindo dados anteriores sobre a doença atual e tratamentos feitos previamente para o entendimento da evolução do paciente.
4. História Médica Pregressa:
a) Relatar as doenças da infância e doenças da vida adulta (diagnósticos prévios, que não o da doença atual), cirurgias, traumas, hospitalizações, medicações (anteriores e atuais com doses e frequência)
b) Alergias: medicações, alimentos, insetos, animais, ocupacional
c) Hábitos e vícios: tabagismo, uso/abuso de álcool, cafeína, drogadição, comportamento e atividade sexual, dieta, atividade física
d) lmunizações: triplice, poliomielite, influenza, caxumba, pneumococo, tétano, hepatite A e B, BCG, PPD.
5. História Familiar:
Idade e condições de saúde de familiares (pai, mãe, irmãos, avós, tios, primos); argüir sobre diabete, hipertensão arterial, cardiopatia isquêmica (infarto), acidente vascular cerebral, dislipidemia, asma, nefropatias, atopia, neoplasias, doenças genéticas, pólipos intestinais, doenças psiquiátricas, tuberculose, artrite.
6. História pessoal e social:
Formação, educação, ocupação, religião, problemas sociais, familiares e profissionais.
7. Revisão de sistemas:
É a última parte da história clínica quando o examinador irá revisar todos os sintomas específicos ligados aos diversos aparelhos, sistemas e regiões do corpo. Algum aspecto relevante não informado ou não valorizado na história da doença atual ou pregressa poderá aparecer na revisão de sistemas.
- geral: estado atual de saúde, anorexia, emagrecimento ou aumento de peso, febre, sudorese, astenia, cansaço.
- cabeça: cefaléia, tontura, vertigem, traumatismos
- olhos: diplopia, visão turva, dor ocular, cataratas, glaucoma, perda do campo visual
- ouvidos: acuidade auditiva, vertigem, zumbido
- nariz e seios da face: epistaxe, coriza, infecções recorrentes, obstrução e prurido nasal, rinite alérgica, sinusite
- boca e garganta: dor de garganta, gengivites, estado dos dentes, próteses, boca seca, dor dentária, faringites, rouquidão.
-pescoço: nódulos, gânglios, alterações de tireóide.
-pulmões: tosse, expectoração, hemoptise, dispnéia, dor torácica, chiado, asma, bronquite, pneumonia, enfisema, tuberculose, exposição ocupacional.
-cardíaco: angina, palpitações, ortopnéia, dispnéia paroxistica noturna, edema, hipertensão arterial, febre reumática, sopros cardíacos, dislipidemia.
- trato gastrointestinal: disfagia, odinofagia, dor abdominal, apetite, náuseas e vômitos, diarréia, constipação, dietas, eructações, hematêmese, melena, enterorragia, hemorróidas, tenesmo, , doença péptica, endoscopias, icterícia, hepatites.
-gênito-urinário: disúria, hematúria, polaciúria, noctúria, nictúria, poliúria, alteração do jato urinário, incontinência, nefrolitiase, infecções.
Na mulher: menarca, menopausa, ciclo menstrual, dismenorréia, metrorragia, leucorréia,
anticoncepção, dor mamária, secreção mamilar, gravidez, dispareunia, vida sexual.
No homem: hérnia, dor ou massa testicular, secreção uretral, lesão genital, prostatite, disfunção sexual.
-neurológico: tontura, sincope, convulsões, parestesias, fraqueza muscular, tremor, alterações da força muscular e da sensibilidade.
-reumático: artrites, edema e rigidez articular, mialgias, gota, lombalgia.
-vascular: flebite, varizes, claudicação, cãimbras, fenômeno de Raynaud
-endócrino: poliúria, polidipsia, polifagia, intolerância ao frio e calor, bócio, osteoporose, diabete.
-hematopoiético: anemia, sangramentos, transfusão prévia, grupo sangüíneo, linfonodos (aumento, dor).
-dermatológico: manchas, erupções, pele seca, rashes, prurido, pigmentação anormal, alteração de cabelos e unhas.
-psiquiátrico: depressão, tristeza, agitação, pânico, ansiedade, alterações de memória, alterações de personalidade, alucinações.
1.2.4. Terminologia médica e principais sinais e sintomas de doenças
1.3. EXAME FÍSICO
Uso do instrumental para o exame físico: avental, esfigmomanômetro, estetoscópio, termômetro, fita
métrica, abaixadores de língua, lanterna, balança, oftalmoscópio/otoscópio, martelo de reflexos.
Técnica do exame físico:
Conceitos gerais: Inspeção – Palpação – Percussão – Ausculta.
Elementos do exame físico geral:
Ø Estado geral: bom, regular, mau (aparência, desenvolvimento corporal, grau de nutrição, disfunção aparente)
Ø Nível de consciência, atenção, orientação, memória
Ø Padrão respiratório
Ø Atitude: ativa, passiva, indiferente, preferencial
Ø Fáscies: tipica-atipica (de dor, cushingóide, mixedematosa, leonina, parkinsoniana)
Ø Fala e linguagem
Ø Movimentos involuntários: fasciculações, mioclonias, tiques, coréia,atetose, balismo
Ø Estado de hidratação: mucosas, turgor cutâneo, umidade das axilas, fontanela na criança
Ø Mucosas: cor (ictérica, cianose, palidez), úmidas, pouco úmidas, secas
Ø Pele e fâneros: manchas, pápulas, vesículas, bolhas, erosão, úlcera, fissura, crosta, escama, atrofia, cicatriz), estado dos pelos e das unhas.
Ø Tecido celular subcutâneo: edema (face, MsIs, pré-sacro, anasarca), infiltração, flogose localizada ou difusa
Ø Exame dos linfonodos: consistência, dor, mobilidade, aderência aos planos profundos
Ø Biotipo: normolíneo, brevilíneo, longilíneo
Sinais Vitais:
Ø Frequência de pulso
Ø Freqüência respiratória
Ø Pressão arterial
Ø Temperatura corporal
Medidas antropométricas:
Ø Peso
Ø Altura
Ø Índice de massa corporal
Ø Relação cintura-quadril
Ø Estado de nutrição
Elementos do exame físico específico:
6.1. Cabeça e pescoço:
Normocefálico, couro cabeludo, olhos (aspecto, pupilas, retina, pálpebras, esclera, campo visual e acuidade visual), orelhas (aspecto, canal auditivo, otoscopia, teste de Rinne e Weber, acuidade auditiva), nariz (mucosa, septo, pólipos), cavidade bucal (lábios, mucosa, pálato, Ilngua, amígdalas, gengivas, dentes, reflexo da deglutição).
pescoço -traquéia, laringe, tireóide (nódulos, bócio, sopros), jugulares (pressões e pulso
venoso), linfonodos (submentoniano, submandibular, auricular, occipitais, cervicais)
6.2. Tórax:
Inspeção estática e dinâmica, expansão torácica e do diafragma, palpação (elasticidade, FTV, linfonodos supraclaviculares e axilares), percussão (som claro, macicez, sub-macicez, timpanismo) e ausculta (murmúrio vesicular, sibilos, roncos, crepitações, sopros, atrito pleural, egofonia, voz).
6.3. Coração:
Inspeção estática e dinâmica (ictus cordis e batimentos), palpação, ausculta (bulhas normais e acessórias: B1, B2, B3, B4, estalidos, clicks; ritmo: regularidade, tempos, frequência; sopros: sistólicos, diastólicos; atrito pericárdico) ; alterações da PA.
6.4. Mamas:
Simetria, alterações cutâneas, retrações, mamilos e aréola, secreção marnilar, massas e nódulos, sensibilidade.
6.5. Abdome:
Inspeção (aspecto, forma, cicatrizes), ausculta dos ruidos peristálticos e sopros, percussão (timpanismo, macicez, fígado e baço, punho-percussão lombar), palpação superficial e profunda (pesquisa de ascite, fígado, baço, aorta, sensibilidade, defesa, dor e resistência à compressão-descompressão, massas abdominais, hérnias, bexiga, rins, linfonodos inguinais).
6.6. Músculo-esquelético:
Aspecto, edema muscular e articular, deformidades, dor, movimento, atrofia- hipertrofia, espasticidade, força, postura vertebral, marcha, linfonodos epitrocleares.
6.7. Vascular:
Pulsos arteriais (radiais, ulnares, braquiais, carotídeos, aorta abdominal, femorais, poplílteos, tibiais posteriores, pediosos), varizes, sinais de insuficiência venosa (edema, úlceras de estase, pigmentação).
6.8. Extremidades:
Hipocratismo digital, cianose, edema, cor, pigmentação, turgor, textura, temperatura, lesões, enchimento capilar.
6.9. Neurológico:
Estado mental, orientação, memória, fala, pares craneanos, motricidade (força, tônus, atrofia, fasciculações, clonus, marcha, coordenação, movimentos involuntários), sensibilidade (dolorosa, térmica, fina, profunda, vibratória), equilíbrio, reflexos (superficiais e profundos, Babinski).
6.10. Genital:
Homens -pênis, escroto, testículos, varicocele, hidrocele.
Mulheres - genitália externa, vulva, uretra, exame especular (cérvix, útero, vagina, anexos, toque vaginal-retal)
6.11. Retal:
Lesões externas, hemorróidas, fissuras, tônus e sensibilidade esfincteriano, massas, estreitamento, próstata, aspecto das fezes.
6.12. Variações do exame físico do adolescente e do idoso
1.4. EXAMES COMPLEMENTARES
O estudante de Medicina está exposto cada vez mais a uma enorme variedade de exames laboratoriais e de imagem, cuja valorização excessiva deve ser evitada pois a observação clínica é o instrumento primeiro para o diagnóstico e acompanhamento clínico. Deve-se integrar a investigação complementar a partir dos dados obtidos pela história clínica e exame físico, o que contribui para a acurácia do diagnóstico médico.
1.5. ELABORAÇÃO DO DIAGNÓSTICO CLÍNICO
Apesar da anamnese, exame físico e exames complementares selecionados orientarem a decisão do diagnóstico final, torna-se necessário quantificar e definir melhor as etapas do raciocínio diagnóstico. Alguns conceitos epidemiológicos constituem atualmente a base para o desenvolvimento racional do diagnóstico clínico, instrumentando o médico com recursos valiosos e custo-eficientes para o manejo do paciente e sua doença. Esses instrumentos serão conceituados a seguir:
a) Sensibilidade: proporção de pacientes com a doença que tem resultado positivo no exame clínico (sinal presente no exame físico, por exemplo).
b) Especificidade: proporção de pacientes sem a doença que não tem resultado positivo no exame clínico (sinal ausente no exame físico, por exemplo).
c) Valor preditivo positivo (VPP): se o achado é positivo, qual a probabilidade do paciente ter a doença? É a razão entre - casos com achados positivos em pacientes com a doença/soma de todos os casos com achados positivos (verdadeiros e falsos positivos). Conceito útil, por exemplo, para diagnósticos mais rápidos em unidades de emergência.
d) Valor preditivo negativo (VPN): se o achado é negativo, qual a probabilidade do paciente não ter a doença? É a razão entre - casos com achados negativos em pacientes sem a doença/soma de todos os casos com achados negativos (verdadeiros e falsos negativos). Conceito útil, por exemplo, para decisões sobre investigação e diagnóstico em nível ambulatorial.
A tabela abaixo resume e facilita o entendimento do cálculo destes 4 parâmetros:
Achado/Doença Presente Ausente Total
Positivo a b a+b
Negativo c d c+d
Total a+c b+d a+b+c+d
Sensibilidade: a/a+c Especificidade: d/b+d VPP: a/a+b VPN: d/c+d
e) Padrão–ouro: é o teste referência com alta sensibilidade e especificidade para determinada doença, adotado como critério definitivo de diagnóstico.
f) Acurácia: é a freqüência com que um achado ou teste corresponde ao resultado verdadeiro. É a soma dos achados ou testes verdadeiro-positivos com os verdadeiro- negativos (a + d) dividida pelo total de pacientes avaliados (a + b + c + d)
g) Probabilidade pré teste: probabilidade de doença antes da aplicação dos resultados do exame clínico. Alguns achados quando positivos (presentes) aumentam a probabilidade de doença mas quando negativos não a modificam significativamente; outros achados são mais úteis quando negativos (ausentes), praticamente excluindo a doença, e quando positivos não modificam a probabilidade substancialmente.
h) Razão de probabildades (RP) ou de verossimilhança: a razão de probabilidades ou de verossimilhança expressa quantas vezes o diagnóstico de uma doença se torna mais ou menos provável em função de um achado clínico ou laboratorial ser positivo ou negativo. Parte sempre da probabilidade pré-teste, que é a prevalência da doença na população.
A RP+ é definida pela proporção de pacientes com a doença que tem o achado positivo dividido pela proporção de pacientes sem a doença que tem o mesmo achado positivo (RP positiva (RP+) = sensibilidade/1 - especificidade). A RP negativa é a proporção de pacientes com a doença que não tem o achado positivo dividido pela proporção de pacientes sem a doença que também não tem o achado positivo (RP negativa (RP-) = 1 – sensibilidade/especificidade). Achados clínicos com RPs > 1 aumentam a probabilidade de doença, e quanto maior a RP+ mais forte é o argumento a favor da doença. RPs entre 1 e 0 diminuem a probabilidade de doença, e quanto mais próxima do zero for a RP- para a presença do achado mais forte o argumento contra a doença.
i) Probabilidade pós-teste: é o produto da probabilidade pré-teste pela razão de probabilidades ou de verossimilhança positiva (achado positivo) ou negativa (achado negativo).
Procurar respostas a questões genéricas para a resolução de um problema clínico (ex., como examinar um coração, um tórax ou um abdome) envolve determinadas estratégias de busca de informações:
· em livros texto (ex., Bates, Porto, Epstein, Harrison, Cecil)
· em diretrizes ou consensos (“guidelines”); por exemplo www.guidelines.gov (americanos), www.cma.ca/cpgs (canadenses)
· em sites de revistas importantes na área de clínica médica; por exemplo www.nejm.com (New England Journal of Medicine), www.acponline.org (Annals of Internal Medicine).
Já informações referentes à questões específicas (ex., qual a sensibilidade e especificidade da palpação abdominal para o diagnóstico de aneurisma de aorta) exigem outra estratégia, com acesso a:
· bancos de dados com informação “pré filtrada”, ou seja, aqueles que incorporam estudos atualizados com maior rigor científico e estatístico. Exemplos são o Up to Date (www.uptodate.com), Cochrane Collaboration (www.updateusa.com/cochrane.htm). Alguns desses sites exigem pagamento anual para acesso.
· bancos de dados gerais, como o Pub Med (www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed, gratuito) e a Bireme (www.bireme.br, gratuito), ambos com ampla bibliografia disponível.
A revista JAMA (revista da American Medical Association: www.jama.com), através de uma série de artigos de revisão sistemática publicados periodicamente, tenta avaliar a sensibilidade, a especificidade e o valor preditivo do exame clínico, colocando a semiologia em uma perspectiva baseada em evidências, o que certamente implica em uma medicina mais acessível e custo-efetiva.



1.6. LISTA DE PROBLEMAS
A lista de problemas é fundamental para a organização do prontuário médico orientado aos problemas, desenvolvido por Lawrence Weed em 1969. É um registro de todos os problemas relevantes relacionados à saúde do paciente, e é colocada na frente do prontuário para todos terem acesso rápido e na forma de sumário dos problemas clinicamente relevantes. Cada anotação é datada, havendo uma cronologia lógica em duas colunas: problemas atuais e ativos (esquerda) e problemas inativos e passados (direita). Incluem-se nesta lista de problemas ativos: sintomas, sinais físicos, resultados de exames complementares, diagnósticos estabelecidos, problemas sociais ou fatores de risco significativos. Nos problemas inativos incluem-se procedimentos e cirurgias prévias e doenças com resolução completa.
1.7. PRONTUÁRIO MÉDICO
Organização e registro dos dados coletados relativos à anamnese, exame físico, dados laboratoriais, lista de problemas, elaboração do diagnóstico e evolução médica do paciente. Dividido em duas seções, o atendimento ambulatorial (anamnese, exame físico, evolução médica e de enfermagem, exames complementares) e a internação hospitalar (nota de baixa, prescrições médicas e de enfermagem, evolução médica, exames complementares, nota de alta).
1.8. PACIENTE HOSPITALIZADO VERSUS PACIENTE AMBULATORIAL
Tradicionalmente o ensino da Semiologia é feito com pacientes hospitalizados. A enfermaria ainda é um local privilegiado para o ensino de técnicas de exame físico pois usualmente ele é alterado, face as complexidades das doenças que levam à internação. Kira e Martins sugerem, entretanto, que a história clínica poderia ser exercitada a partir de pacientes de ambulatório, que apresentam problemas menos complexos, permitindo que o raciocínio hipotético-dedutivo possa ser exercitado pelos alunos desde o primeiro contato na disciplina de Semiologia.
1.9 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1) Bates Propedêutica Médica. Bickley LS, Hoelkelman RA. 7 ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001, p. 2-125.
2) Porto, CC. Semiologia Médica. 4 ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001, p. 3-158.
3) Epstein O, Perkin GD, de Bono DP, Cookson J. Exame Clínico. 2 ed., Porto Alegre:
Artes Médicas, 1998, p. 1-50.
4) Benseñor I, Atta JA, Martins, MA. Semiologia Clínica. 1 ed., São Paulo: Sarvier, 2002, p. 7-38.
McGee, S. Evidence–Based Physical Diagnosis. 1 ed., Philadelphia: WB Saunders Company, 2001, p. 3-33.
4) Hampton JR, Harrison MJG, Mitchell JRA, Prichard JS, Seymour C. Relative contributions of History-taking, Physical Examination, and Laboratory Investigation to Diagnosis and Management of Medical Outpatients. BMJ 1975; 2: 486-489.
5) Roshan M, Rao AP. A Study on Relative Contributions of the History, Physical Examination and Investigations in Making Medical Diagnosis. JAPI 2000; 48(8): 771-775.
6) Martins HS, Olmos RD. Semiologia Baseada em Evidências. In: Benseñor I, Atta JA, Martins, MA. Semiologia Clínica. 1 ed., São Paulo: Sarvier, 2002, p. 243-252.
7) Sandler G. The importance of the history in the medical clinic and the cost of unnecessary tests. Am Heart J 1980; 100(6): 928-931.
8) Kira CM, Martins, MA. O Ensino e o Aprendizado das Habilidades Clínicas e Competências Médicas. Revista de Medicina de Ribeirão Preto 1996; 29: 407-413.
Colaboração:

Disciplina de Semiologia

Departamento de Medicina Interna

FFFCMPA


retirado de :http://www.nutrices.com/2011/06/diagnostico-medico-exame-fisico.html
"

28 de jun. de 2011

Curso Virtual:Ausculta torácica - Unifesp

Ausculta torácica - Unifesp: "
Ausculta Torácica - Unifesp
Este é o Programa Educacional em Ausculta Torácica, página desenvolvida pela Unifesp com o objetivo de ser uma ferramenta a mais para estudo, pela internet, dos sons cardíacos e pulmonares em situações fisiológicas e patológicas.
Clique na figura acima para acessa-lo.


Dica do Bruno Oliveira, por e-mail.
"

8 de jun. de 2011

AFTAS

AFTAS: "Esta seção de perguntas e respostas sobre afta é um complemento do texto AFTA | CAUSAS E TRATAMENTO



Estas são as perguntas mais frequentemente feitas aqui no blog e em outros fóruns da internet.



1.) Tenho aftas recorrentes, isso significa que tenho alguma doença?

R: Não. Até 20% da população sofre com aftas recorrentes sem que isso indique a presença de outra doença.





2.) Todo mundo que costuma ter aftas apresenta problemas no estômago?

R: Não. Na verdade, apenas um pequena parte destas pessoas possui algum problema gástrico.



3.) Estou com uma grande afta na boca e notei um gânglio aumentado no meu pescoço. Uma coisa está relacionada com a outra?

R: Sim. A presença de lesões na cavidade oral podem ser a causa de linfonodos aumentados no pescoço. O mesmo raciocínio vale para lesões na face e no couro cabeludo.



4.) Toda vez que eu acidentalmente mordo meus lábios ou língua surge uma afta. Isto é normal?

R: Sim. Traumas na cavidade oral é uma das principais causas de aftas.



5.) Ouvi falar que colocar bicarbonato na afta ajuda a cicatrizar a lesão. Isto procede?

R: Sim e não. Deve-se evitar colocar o bicarbonato em pó diretamente sobre a afta, pois isto pode aumentar a inflamação. Porém, bochechar com uma colher de chá de bicarbonato diluído em um copo de água é um dos tratamentos sugeridos.



6.) Quais os alimentos que devem ser evitados quando há um afta ativa?

R: Comidas ácidas como sucos cítricos e refrigerantes; comidas com muito sal, condimento ou apimentadas. Procure também evitar alimentos muito duros que possam ferir e irritar ainda mais a afta enquanto se mastiga.



7.) Passar pó Royal na afta ajuda a cicatrizá-la?

R: Não. Pelo contrário.



8.) Passar pasta de dente na afta ajuda a cicatrizá-la?

R: Não. Na verdade, alguns tipos de pasta de dente podem piorar as lesões.



9.) Furar a afta com uma agulha ajuda na cicatrização

R: NÃO!



10.) Sempre que eu como abacaxi, tenho aftas. Isto faz sentido?

R: Pode ser que sim. Algumas pessoas têm uma espécie de alergia a certos alimentos, fazendo que que desenvolvam aftas. Os mais citados são noz, avelã, abacaxi e outras frutas cítricas e canela.



11.) Afta pode causar febre?

R: Pode, mas nestes casos é sempre indicada uma avaliação médica para descartar outras causas, uma vez que a imensa maioria das aftas não causa febre.



12.) Sempre que eu durmo de barriga cheia, apareço com uma afta nos dias seguintes. Isto faz sentido?

R: Sim. Pessoas que têm refluxo gastro-esofágico apresentam piora do quadro se deitarem logo após a alimentação. Isto pode aumentar a acidez da boca e provocar aftas (leia: HÉRNIA DE HIATO | REFLUXO GASTROESOFÁGICO)



13.) A bactéria H.pylori pode causar aftas?

R: Sim. (leia: H.PYLORI (Helicobacter pylori))



14.) A afta é transmitida pelo beijo?

R: Não. Afta não é uma doença transmissível.



15.) Estresse pode causar aftas?

R: Sim. É uma causa comum.



16.) Quantos dias costuma durar uma afta?

R: Em média, 7 dias.



17.) A presença de afta na boca aumenta o risco de transmissão de doenças sexualmente transmissíveis durante o sexo oral?

R: Teoricamente sim, porém, não há trabalhos que demonstrem efetivamente de quanto é esse aumento.



18.) Uma afta pode ser confundida com herpes labial?

R: Não por médicos. As lesões costumam ser diferentes (leia: HERPES LABIAL | HERPES GENITAL | FOTOS e HERPES LABIAL | HERPES GENITAL)



19.) Cigarro causa afta?

R: Sim. Algumas pessoas também têm aftas logo após parar de fumar, devido a estresse que passam nos primeiros dias sem o cigarro. (leia: MALEFÍCIOS DO CIGARRO | Saiba como e por que parar de fumar)



20.) Afta pode virar câncer?

R: Não. Porém, alguns cânceres de boca podem se manifestar como úlceras que não cicatrizam



Para tirar dúvidas e saber mais informações sobre aftas, leia: AFTA | CAUSAS E TRATAMENTO
"

FUNDO DE OLHO | Oftalmoscopia

FUNDO DE OLHO | Oftalmoscopia: "O fundo do olho é a mais rica e detalhada pintura ao vivo e em cores da situação das artérias, veias e nervos do corpo humano, pois na sua visualização somente meios transparentes se interpõe entre o médico e a retina do paciente, salvo em situações patológicas. A retina funciona assim como uma janela através da qual se enxerga a saúde do organismo de uma maneira geral.




Fundo de olho normal


A retina é um tecido nervoso sensível à luz, localizado na superfície interna da parte posterior do olho, cuja função é transformar o estímulo luminoso em um estímulo nervoso. Comparando com o processo fotográfico, a retina é como se fosse o filme da máquina, que capta imagens por meio das suas células fotorreceptoras para enviá-las ao cérebro.



A fundoscopia ou oftalmoscopia é o exame em que se visualizam as estruturas do fundo de olho, dando atenção ao nervo óptico, os vasos retinianos, e a retina propriamente dita, especialmente sua região central denominada mácula. O exame de fundo de olho é realizado desde 1851, quando Von Helmholtz inventou o primeiro oftalmoscópio e se constitui no principal elo entre a oftalmologia e os demais ramos da medicina. O principio óptico consiste na projeção de luz, proveniente do oftalmoscópio, no interior do olho e mediante a reflexão dessa luz na retina é possível observar essas estruturas.



Existem dois tipos de fundoscopia: a direta, na qual se obtém uma imagem ampliada quinze vezes maior, mas com restrito campo de visão, e a indireta, que proporciona uma imagem com ampliação menor, porém com visualização mais ampla da retina, evidenciando-se até sua periferia. A oftalmoscopia direta é comumente realizada pelo clínico geral e utiliza-se um aparelho simples e portátil, enquanto a oftalmoscopia indireta é geralmente restrita ao médico oftalmologista e depende de equipamentos mais complexos.



Indivíduos que não tem problemas oculares ou doenças que predispõem a males na região dos olhos, como hipertensão arterial e diabetes, precisam fazer o exame anualmente, especialmente se já passaram dos 40 anos. O clinico geral ou o médico oftalmologista irá sugerir uma periodicidade diferente para quem está em acompanhamento para alguma doença ocular ou sistêmica, levando em conta o histórico do paciente.






Fundo de olho na toxoplasmose ocular
O exame de fundo de olho pode trazer informações importantes em indivíduos de todas as idades. Recém-nascidos prematuros e cujas mães tiveram infecções durante a gestação devem ser submetidos rotineiramente a um exame detalhado de fundo de olho. Todos os demais bebês devem ser avaliados com o teste do reflexo vermelho, em que é avaliada a coloração avermelhada gerada pela retina através da pupila quando submetida a uma iluminação direta. Esse teste pode ser realizado pelo próprio pediatra, no berçário ou na sala de parto, que encaminhará ao oftalmologista em caso de qualquer alteração ou um resultado duvidoso. A oftalmoscopia, nestes casos, pode indicar a presença de tumores como o retinoblastoma, infecções como toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e sífilis*, além de doenças como a retinopatia da prematuridade, doença relacionada à formação dos vasos da retina que pode levar à cegueira.



* Leia sobre:

- SÍFILIS | SINTOMAS E TRATAMENTO

- RUBÉOLA | SINTOMAS E VACINA

- TOXOPLASMOSE NA GRAVIDEZ | TOXOPLASMOSE CONGÊNITA



Em adultos, o exame de fundo de olho realizado regularmente é fundamental para o diagnóstico precoce de diversas doenças oculares, entre elas o glaucoma (leia: GLAUCOMA | Sintomas e tratamento). Aliado à medida da pressão intraocular, permite que o tratamento seja iniciado antes da presença de sintomas, já que o glaucoma, segunda causa de cegueira no Brasil, é uma doença silenciosa que pode levar anos para causar dificuldade visual.



As alterações relacionadas ao envelhecimento, como o surgimento de drusas na retina e o desenvolvimento de degeneração macular relacionada a idade, também são sempre observadas pelo oftalmologista durante a fundoscopia (leia: DEGENERAÇÃO MACULAR | Causas e sintomas).






Lesão da retina pela hipertensão
A fundoscopia, por suas ligações com a clínica médica, a neurologia e outras especialidades, é um elemento importante para o diagnóstico e acompanhamento de diversas doenças sistêmicas. Em indivíduos com hipertensão arterial ou diabetes*, uma fundoscopia cuidadosa pode trazer informações valiosas sobre a situação vascular subjacente. É interessante destacar que a fundoscopia é um método prático e fácil para se avaliar os danos em órgãos alvo, além de fornecer informações sobre a atividade e tempo de desenvolvimento dessas doenças. Este exame é mais um meio a ser utilizado pelo clínico para um melhor acompanhamento e tratamento destas doenças e prevenir suas complicações oculares e sistêmicas.



* Leia também:

- DIABETES MELLITUS | Diagnóstico e sintomas

- HIPERTENSÃO ARTERIAL | Sintomas e tratamento



Na neurologia, a fundoscopia é comumente empregada por exemplo em pacientes em coma na procura de sinais como o edema de papila que pode indicar hipertensão intracraniana e a presença de hemorragia sub-hialóide, que pode sugerir hemorragia intracraniana.



Assim, nestas últimas décadas, em que presenciamos grandes avanços na medicina, a prevenção assume naturalmente papel fundamental na promoção da saúde. A riqueza de informações contidas no fundo de olho é uma ferramenta valiosa nesse cuidado com o paciente.



Este texto foi é de autoria do Dr. Flavio Mac Cord, Mestre e Doutorando em Ciências Médicas pela Unicamp, Pós-Graduado em Retina Clínica e Cirúrgica pela USP, Professor Substituto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e médico do Hospital Federal dos Servidores do Estado e da Clínica São Vicente.
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5 de jun. de 2011

Vídeos – Procedimentos em Clínica Médica

Vídeos – Procedimentos em Clínica Médica: "

Procedimentos em Clínica Médica

Consegui esses vídeos há algum tempo e só agora coloco à disposição de vocês. Já os vi por aí em alguns blogs, mas não custa nada disponibilizar por aqui também. Eu já tinha postado os de sondagem masculina e sondagem feminina e vi que foram muito baixados. Agora estou colocando o restante de uma vez. Todos eles mostram alguns procedimentos usuais em Clínica Médica, a especialidade que eu estava fazendo na Residência.
Gostei muito da qualidade e do rigor técnico, afinal foram publicados pelo The New England Journal of Medicine. Estão no idioma original, inglês, sem legendas. O tamanho médio de cada é de 50 MB
Clique no título para baixar cada um separadamente:

1. Examination of the Larynx and Pharynx (Exame da Laringe e Faringe)
2. Positive-Pressure Ventilation (Ventilação com pressão positiva)
3. Lumbar Puncture (Punção Lombar)
4. Arterial Line Placement (Instalação de cateter arterial)
5. Orotracheal Intubation (Intubação orotraqueal)
6. Nasogastric Intubation (Intubação nasogástrica)
7. Basic Laceration Repair (Reparo básico de laceração)
8. Arthrocentesis of the Knee (Artrocentese de joelho)
9. Paracentesis (Paracentese)
10. Placement of a Femoral Venous Catheter (Instalação de cateter venoso femoral)
11. Central Venous Line Placement Subclavian Vein (Instalação de cateter venoso central em veia subclávia)
12. Chest-Tube Insertion (Inserção de dreno torácico)
13. Thoracentesis (Toracocentese)
14. Central Venous Catheterization (Cateterização venosa central)
15. Abscess Incision and Drainage (Incisão e drenagem de abcesso)
16. Cricothyroidotomy (Cricotireoidotomia)
17. Pelvic Examination (Exame pélvico)

Apesar de não conseguir o texto de todos, montei um pequeno guia em PDF com informações sobre os vídeos acima. Disponível aqui.

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5 de mai. de 2011

Avaliação clínica de lesões de nervos periféricos

Avaliação clínica de lesões de nervos periféricos: "
Por Bruno Melo Fernandes
Estudante de Graduação em Medicina da UFPB

Resumo
As lesões de nervos periféricos estão entre as desordens neurológicas mais comuns. De etiologias traumáticas e não-traumáticas, as neuropatias periféricas podem se manifestar clinicamente com uma significativa variedade de sintomas: sensação de formigamento, dormência, queimação, dor, hiperestesia, redução da força muscular, atrofias, hipotensão postural, disfunção erétil, anidrose, incontinência esfincteriana, entre otros sintomas e sinais. É importante que o médico conheça as funções, e os mecanismos de lesão, dos principais nervos periféricos para que, assim, possa diagnosticar neuropatias a partir de achados puramente clínicos.
Palavras-chave: Nervos Periféricos. Neuropatia Periférica. Técnicas de Diagnóstico Neurológico.

O sistema nervoso periférico é composto por todos os nervos que estão fora do sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal): raízes, gânglios, plexos, fibras nervosas. Estes elementos neurais são extensões do sistema nervoso central responsáveis pela integração das atividades nervosas não axiais, tanto sensitivas quanto motoras. Portanto, esses nervos são uma linha de condução que leva informações sensoriais da pele, músculos e outros órgãos ao sistema nervoso central (SNC) e informações motoras do SNC para os músculos somáticos e órgãos efetores controlados pelo sistema nervoso autônomo.

As lesões de nervos periféricos, traumáticas ou não, acarretam perdas parciais ou totais de numerosas funções orgânicas, devido à parada da transmissão de impulsos nervosos e à desorganização funcional dos tecidos acometidos (MATTAR JÚNIOR; AZZE, 2008).

Em relação à clínica médica, as lesões de nervos periféricos formam um quadro de afecções extremamente diverso, com manifestações clínicas e etiologias múltiplas, sendo muito comumente encontradas na prática médica. Em geral, dividem-se as lesões de nervos periféricos em traumáticas e não-traumáticas, diferença esta facilmente identificada na avaliação clínica dos pacientes (KARPARIAN; RUSSEL, 2007).

As neuropatias periféricas podem se manifestar clinicamente com uma significativa variedade de sintomas: sensação de formigamento, dormência, queimação, dor, hiperestesia, redução da força muscular, atrofias, hipotensão postural, disfunção erétil, anidrose, incontinência esfincteriana, entre otros sintomas e sinais.

O primeiro passo na abordagem clínica de lesões de nervos periféricos é a anamnese. O médico deve atentar para os sintomas referidos pelo paciente, seu tempo e curso de evolução e, principalmente, tentar encontrar algum evento desencadeador do problema, como um hábito de vida, um trauma, uma doença hereditária, ou um antecedente pessoal patológico, entre outras causas.

Em geral, as lesões de nervos periféricos acarretam distúrbios focais das funções motora, sensitiva e autonômica e, às vezes, dor. O quadro clínico de uma neuropatia varia de acordo com os tipos de fibras danificados no nervo envolvido e com a fisiopatologia da lesão. As lesões podem ser agudas ou de apresentação insidiosa e ainda podem acarretar sintomas intermitentes, como no caso de isquemia nervosa transitória de origem mecânica, ou constantes, como no caso de ruptura de axônios (Ibid).

Acredita-se que as fibras sensitivas são mais suscetíveis a lesões que as motoras localizadas ao lado delas. Logo, é comum que os primeiros sintomas de uma mononeuropatia sejam sensitivos. Os pacientes podem se queixar de perda de sensibilidade ou anestesia, “dormência”, parestesias, sensação de inchaço, ou sensações anormais tipo queimação, hipersensibilidade e prurido (MARGLESS; RUSSEL, 2007).

EM sua modalidade de polineuropatia, afetan vários nervos de forma simultânea, con sinais simétricos distais e participação de pares cranianos ou não. São anormalidades neurológicas frequentes e sua gravidade varia desde anormalidades sensoriais leves até transtornos paralíticos graves, como a Síndrome de Guillain Barré (CASTAÑEDA-FERNANDÉZ et al., 2003).

A avaliação da neuropatia diabética, por sua vez, é um desafio. Esta complicação é geralmente avaliada de maneira subjetiva (sintomas inespecíficos) e não padronizada. Em alguns casos, a presença de alterações nos reflexos e na sensibilidade pode facilitar o diagnóstico. Estes sinais, contudo, não estão presentes em todos os pacientes. O método mais comum de avaliação da avaliação da neuropatia diabética é o uso do teste do monofilamento, exame que avalia a sensibilidade tátil nos pés e pododáctilos dos pacientes (MEULENBELT et al., 2009). Os outros métodos recomendados são complexos e de mais difícil aplicação na prática clínica.

É importante perceber que a avaliação sensitiva à beira do leito, isto é, o exame físico, é menos sensível e confiável que a percepção própria do paciente, esta denotada pela anamnese. Em muitos casos, é mais fácil definir a anatomia exata de uma área de sensibilidade alterada pedindo-se ao paciente para desenhar a região afetada sobre o corpo. Esses achados são mais confiáveis que os do exame físico, caso estes sejam diferentes.

Em quadros mais tardios, os sintomas sensitivos podem se juntar a sintomas motores, em especial, a paresia, acompanhada ou não de atrofia. Deve-se atentar para o fato de que nem todos os músculos distais a uma lesão nervosa são afetados, pois não necessariamente todas as fibras do nervo lesionado estão disfuncionantes.

A avaliação clínica de uma lesão de nervo periférico deve então priorizar a busca por sintomas referidos pelo paciente que possam demonstrar déficits clínicos específicos à distribuição de nervos ou segmentos nervosos. Tais suspeitas podem ou não serem confirmadas através de estudo eletroneuromiográfico, a depender da dúvida quanto ao diagnóstico. Além disso, deve-se buscar uma etiologia para o processo, como a história de trauma ou um hábito de vida (como tocar violino ou jogar boliche), ou seja, atividades ligadas a determinadas neuropatias específicas.

É importante salientar que quanto à etiologia traumática, estima-se em 10% a 20% a prevalência de lesões do sistema nervoso periférico envolvem o plexo braquial. Os mecanismos de tração/estiramento foram os principais responsáveis por lesão do plaxo braquial. Os traumas de plexo braquial provocam disfunção tanto por lesão neurológica quanto por desenvolvimento de dor no membro afetado. A dor, nesses casos, pode ocorrer por três mecanismos: dor neuropática em lesões pós-ganglionares; dor devido a avulsão radicular; ou dor simpático-mediada (FLORES, 2006).

O diagnóstico precoce é imperativo para uma abordagem terapêutica eficaz, que passam por mudanças em hábitos de vida, como posturas ou atividades, uso de suportes ou coletes específicos, sessões de fisioterapia e, em alguns casos, abordagens cirúrgicas específicas.

Referências

CASTAÑEDA-FERNANDÉZ, J. A; CORRA-GARCÍA, J. Neuropatías periféricas. Medisan, 7 (4), s. p., 2003. Disponível em: http://bvs.sld.cu/revistas/san/vol7_4_03/san07403.htm. Acesso em 22 mar. 2011.
FLORES, L. P. Estudo epidemiológico das lesões traumáticas de plexo braquial em adultos. Arq Neuropsiquiatr, 64(1):88-94, 2006.
KASPARYAN G.N., RUSSEL J. A. Aspectos Gerais das Momoneuropatias. In: HOYDEN JONES JR, H. et al. (Ed.) Neurologia de Netter. Porto Alegre: Artmed, 2007. Cap 83.
MARGLES S.W., RUSSEL J. A. Mononeuropatias que apresentam sintomas nos membros superiores. In: HOYDEN JONES JR, H. et al. (Ed.) Neurologia de Netter. Porto Alegre: Artmed, 2007. Cap 83.
MATTAR JÚNIOR, R.; AZZE, R. J. Lesões dos nervos periféricos. Atualização em Traumatologia do Aparelho Locomotor. 2008. Disponível em:
http://www.ronaldoazze.com.br/fasciculo/fasciculo3.PDF. Acesso em: 22 mar. 2011.
MEULENBELT, M. et al. Determinants of skin problems of the stump in lower-limb amputees. Arch Phys Med Rehabil, 90 (1):74-81, 2009.





fonte da postagem:http://semiologiamedica.blogspot.com/2011/03/avaliacao-clinica-de-lesoes-de-nervos.html
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3 de mai. de 2011

Sons Pulmonares Normais e Anormais

Sons Pulmonares Normais e Anormais: "






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fonte:http://semiologiamedica.blogspot.com/2011/04/sons-pulmonares-anormais.html

13 de fev. de 2011

Da série vídeos de semiologia - Exame do Pé Diabético

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