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7 de jun. de 2012

A Greve das federais ou deficiência educação secundarista

(7) FILOSOFIA:
FOLHA DE S. PAULO - TENDÊNCIAS E DEBATES - HOJE 07/06/2012
PAULO GHIRALDELLI JR

 
Nosso papel não é a alfabetização hipertardia

Não há nenhum complô do governo Dilma contra as universidades federais. As universidades federais entraram em greve não por uma decisão do governo em diminuir a qualidade do ensino por meio de arrocho salarial.

Ao contrário, elas entraram em greve pela razão de que há uma despreocupação do governo Dilma em tomar cuidado para que as universidades federais não se transformem em grandes colégios.

Pela maneira como o nosso progresso se deu, acabamos por nos acomodar com a seguinte situação: se precisamos de pesquisa de ponta, parece que ficamos satisfeitos com o que faz a USP e a Unicamp, e se o nosso ensino médio público não funciona mais, parece que ficamos mais satisfeitos ainda em transformar toda a rede federal de ensino superior em um bom substituto do ensino médio.

Desse modo, que o Estado de São Paulo arque em manter universidades com o nome de universidades, pois aí as federais poderão, dessa maneira, terem professores melhor pagos que os de ensino médio para fazer melhor o que o ensino médio fazia. Não é que um governo tomou essa decisão. Mas várias decisões de ordens diferentes foram tomadas nos governos FHC, Lula e agora Dilma que colaboraram para que, no frigir dos ovos, esse seja o resultado.

Como resultado, o que está se configurando é exatamente isto: não é necessário que o professor de ensino superior federal tenha o salário que tinha, já que as federais não conseguiram despontar no ranking mundial. Ora, não há razão de termos mais ciência nacional, filosofia feita em casa e tecnologia para nós mesmos se, no cômputo maior, vamos trabalhar com importações, e no miúdo e contingente, podemos trabalhar com a USP e a Unicamp.

Esse pensamento não corre pela cabeça de ninguém individualmente, no entanto, é exatamente isso que aparece como a intenção que poderíamos imputar à política brasileira dos últimos dezoito anos. Ninguém intencionou isso. Mas, o resultado de intenções diversas e, talvez, até contrárias a isso, está levando a essa situação.

O regime de trabalho de dedicação exclusiva do professor universitário deve ser preservado. Não se pode jogar fora a rede universitária federal como rede universitária. Ela não pode e não deve ser uma nova rede de alfabetização hipertardia, como ocorreu com as faculdades particulares criadas no boom do ensino superior gerado pela ditadura militar.

Vivemos o desprestígio do professor universitário, porque já se sente que ele deixará de ser um produtor para ser um reprodutor de conhecimento. É um efeito colateral do tipo de desenvolvimento que estamos tendo.

Um subproduto desse desenvolvimento é a busca de desenvolvimento pessoal de cada brasileiro sem que isso signifique ampliação de cultura. Pode significar conquista de diploma, mas não um salto para se transformar em um indivíduo melhor. Esse sonho do brasileiro de “se fazer pela educação” foi o sonho dos da classe média ou mesmo dos trabalhadores até 1970 ou 1980. Não é mais o que o brasileiro pensa.

A presidente Dilma faria muito se pudesse retardar essa desgraça, até que a sociedade, talvez por sorte, venha a acreditar que vale a pena ter bons professores universitários, e que para tal se deve pagá-los com um salário que, na entrada dos anos noventa, não era um salário ruim. Pois, se a sociedade voltar a pensar assim, então o mecanismo normal do parlamento democrático, suscetível à população, funcionará em favor da universidade.

adaptado de :
PAULO GHIRALDELLI JR., 54, é filósofo, professor da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) e autor, entre outros, de "Lições de Paulo Freire" (editora Manole)
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3 de jun. de 2012

Universidades:da greve à incompreensão social !

A universidade é o carrasco da ilusão da sociedade | Você que é Biólogo...:

A universidade é o carrasco da ilusão da sociedade

escrito por 


Eu adoro a jornalista Eliane Brum. Acho até que amo. Não, está mais pra uma fixação. Tudo começou com o artigo dela “Meu filho, você não merece nada!”. Espetacular! Depois li aquele sobre o ‘Criacionismo‘, sobre a usina de “Belo Monte“, e depois um monte de outras coisas. Não bastasse ser inteligente e perspicaz, ela é bonita (mesmo com aquele sotaque de gaúcha que, vamos lá, não combina tão bem com mulheres bonitas). Comecei a segui-la no Twitter e, eventualmente, cheguei até a sua entrevista no programa provocações da TV cultura. Excelente! Suas opiniões sobre a morte e a coluna prestes são fortes e bem embasadas. “Quando eu vejo alguma coisa interessante, eu raspo a minha poupança, pego todo o meu dinheiro e vou lá, porque eu não falo do que eu não vi”. Por isso tudo, fiquei triste, bem triste, quando ao final do programa, perguntada pelo Abujarana sobre a academia, ela respondeu “a universidade está distante da sociedade”. E nem foi só assim, a seco. Foi com um certo desdém. O mesmo desdém com que eu, por exemplo, falo do congresso nacional.
Só que não fiquei não só triste. Fiquei também preocupado: “Se uma jornalista do calibre dela tem essa opinião da universidade, qual será a opinião que o resto das pessoas tem?” Mas mais do que isso, me perguntei: “Será que ela está certa mesmo?“
Falar mal da universidade, principalmente das públicas, é chutar cachorro morto:remuneração ruim, abandono, burocracia, lentidão… Mas ainda assim são ilhas de saber e conhecimento e um porto seguro quando se trata de questões práticas que requerem saber ou tecnologia. Seja na área do ensino, das engenharias, do meio ambiente ou da saúde. Discutir porquê a universidade está longe da sociedade é muito relevante no momento em que os professores das federais param em greve.
A universidade está sim, distante da sociedade. Mas sempre que alguém diz isso, como quando a Eliane Brum disse, parece que a culpa é da universidade. Será que é? A responsabilidade pela distância entre a academia e a sociedade é da universidade? Ou, no mínimo, será que é SÓ da universidade?
Eu sou da opinião de que só a opinião das pessoas conta pouco, ou muito pouco, e, por isso, devemos observar o que as pessoa fazem, não o que elas dizem ou querem. E se eu olho a nossa sociedade, o que eu vejo é que o primeiro eletrodoméstico de uma família é a TV, mesmo que seja uma família muito, muito pobre do sertão do cariri, mesmo antes da geladeira. Vejo qu
e o Brasil é reconhecido no mundo, hoje, por Paulo Coelho e Michel Teló (já foi por Carmem Miranda e Pelé), que temos muito mais horas por semana de programas religiosos na TV (190h) mesmo do que de esportes (50h), notícias ou  entretenimento (Ciência tem míseras 8,5h). E que o BBB e o Ratinho são campeões de audiência. Como uma sociedade assim pode se aproximar da universidade (e vice-versa)? O que a universidade tem a oferecer a essa sociedade? Podem me chamar de preconceituoso, mas quando paro para pensar na resposta a essa pergunta, quase me desespero. Chego a conclusão que muito pouco ou quase nada. Tirando o diploma, o documento em si (e não o conhecimento associado a ele), acho que a sociedade não reconhece na universidade nada que possa interessar a ela.
Vejam, não estou dizendo que é verdade ou que eu concor
do com isso (que a universidade não tem nada a contribuir com a sociedade). E vou dar um exemplo prático. O ministério da educação, quando instituiu a Universidade Aberta do Brasil, o fez seguindo um modelo semi-presencial, que incluía a criação de pólos presenciais em parceria com as prefeituras, onde os alunos a distância pudessem usufruir de uma série de serviços como biblioteca, aulas práticas e tutoria. O governo federal financiaria, de diversas maneiras, esses pólos para as prefeituras que submetessem projetos. Mas… nada! As prefeituras simplesmente não submeteram porque… infelizmente… não há pessoas, na maioria das prefeituras dos mais de 5.000 municípios brasileiros, capazes de ler um edital e escrever um projeto adequado a ele. Isso vale também para outras áreas como saneamento básico, segurança pública e meio ambiente. Uma colaboração entra a prefeitura e a universidade mais próxima, qualquer uma, pública ou privada, poderia facilmente preencher essa lacuna e permitir o acesso a esses recursos que trariam benefícios diretos e visíveis a população.
A sociedade consome os produtos da ciência, mas
é avessa a sua filosofia. Por falta de educação, provavelmente. Afinal, temos apena 14% dos nossos jovens entre 18 e 24 anos na universidade (menos que a bolívia!). Aproximadamente o mesmo percentual de outros jovens mais jovens na escola. O que podemos esperar dessa população, a não ser que por algumas gerações a distância continue grande?
O Brasil tem um povo sofrido, explorado, que tem na esperança a única ferramenta para a paz de espírito, para lidar com a incerteza de uma vida em uma das sociedades com pior distribuição de renda e índices de corrupção do mundo. O Brasileiro sabe, sempre soube, aprendeu, a ter fé e usar a fé para combater a incerteza. A universidade usa a ciência para combater a incerteza, reduz a esperança, e mostra que o trabalho e a razão são mais importantes que a oração; que a educação combate a corrupção, mas que para aprender, tem que estudar e tem que trabalhar. É muita coisa. (Principalmente quando nossos políticos usam a estratégia da religião: prometem reco
mpensas enormes e colocam a responsabilidade na fé do cidadão, sem precisarem prestar contas dos resultados). A ciência mostra que as recompensas não podem ser tão grandes, que precisam ser conquistadas com trabalho e precisam, a todo momento, serem postas a prova. A ciência acaba com a esperança de sucesso fácil, mas mostra que o sucesso é mais provável com trabalho.
E é demais. O que eu tenho percebido é que o golpe da ciência na esperança é forte demais, e não sobra nada em pé para que uma sociedade literal e digitalmente excluída construa em cima. O golpe na esperança é fatal e quando vem a ciência em cima, não há mais nenhum terreno para fecundar. Se você não entendeu o que eu quis dizer com isso, pode ser que essa tirinha ajude.
É isso… a ciência é o carrasco da ilusão, que mata junto a esperança. Haja coração!

adaptado de :
http://scienceblogs.com.br/vqeb/2012/06/universidade-e-carrasco-da-ilusao-da-sociedade/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+lablogatorios+%28ScienceBlogs+Main%29&utm_content=FaceBook

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7 de abr. de 2011

Pacientes apóiam paralisação dos médicos contra planos de saúde

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