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14 de mai. de 2011

radiocirurgia-aumenta-a-seguranca-e-a-eficiencia-no-tratamento-de-tumores

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Ampliam-se as possibilidades de uso dessa técnica em substituição à cirurgia convencional

Sem abrir o crânio, sem internação e, frequentemente, em uma só sessão que dura de uma a duas horas em média, a radiocirurgia faz o que até recentemente só era possível por meio da cirurgia tradicional: destrói tumores. Hoje, a técnica é reconhecida como a melhor alternativa para tratar metástases e outras lesões anormais do cérebro. Apesar do nome, a radiocirurgia não envolve cirurgia. Trata-se de uma tecnologia que permite aplicar uma alta dose de radiação, com grande precisão e segurança, que atinge o tumor sem afetar os tecidos saudáveis.

São muitas as vantagens da radiocirurgia. A primeira é evitar a cirurgia invasiva e os riscos e complicações a ela associadas. Isso é importante para pacientes com metástase no cérebro, já fragilizados pelo câncer principal (mama, pulmão, etc.) e, às vezes, portadores de outras doenças, como problemas cardíacos. A radiocirurgia permite ainda chegar a tumores localizados em áreas não operáveis pelo método tradicional, seja pela dificuldade de acesso ou pelo risco elevado. Outro diferencial é que podem ser tratadas várias lesões ao mesmo tempo, um aspecto relevante, já que metade dos pacientes com metástase no cérebro tem mais de uma lesão. A limitação da radiocirurgia é o tamanho do tumor: no máximo quatro centímetros.

Além das metástases no cérebro, a técnica é usada para tratar tumores benignos na cabeça. Os riscos da cirurgia tradicional – perda de audição e paralisia que atingea metade do rosto – são praticamente nulos na radiocirurgia.

A radiocirurgia pode destruir tumores em procedimentos sem abrir o crânio, sem internação e em uma sessão que dura de uma a duas horas em média.

Pacientes com má-formação arteriovenosa, um emaranhado de vasos no cérebro que se conectam diretamente, podendo provocar sangramentos e hemorragias, também têm se beneficiado. Apesar de, neste caso, a primeira opção ser a cirurgia, a radiocirurgia é a alternativa quando o local não é acessível ou há alto risco de sequelas.

Os avanços têm permitido adotar a radiocirurgia no tratamento de tumores em outras partes do corpo, como fígado, pulmão, coluna, rins, pâncreas. Nesses locais, o tumor se movimenta em função da respiração, e avançados recursos de imagem possibilitam acompanhar esse deslocamento e direcionar o feixe de radiação sobre a lesão de maneira precisa. Nesses tratamentos, a radiocirurgia é usada apenas quando o paciente não pode ser submetido à cirurgia tradicional. Mas se os estudos em andamento indicarem que os resultados são semelhantes nos dois tipos de procedimento, será possível aproveitar os benefícios que a técnica não invasiva oferece em termos de segurança para o paciente, com menos riscos, recuperação mais rápida e menor custo.



Título: Radiocirurgia aumenta a segurança e a eficiência no tratamento de tumores
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22 de mar. de 2011

Os efeitos da radioatividade no corpo humano


Energia nuclear

Os efeitos da radioatividade no corpo humano

Em pequenas doses, a radiação ajuda a diagnosticar e tratar doenças. Em grandes quantidades, pode alterar o sistema biológico e até matar

Marco Túlio Pires
O raio-x é um tipo de radiação utilizado pela medicina para ajudar no diagnóstico de doenças
O raio-x é um tipo de radiação utilizado pela medicina para ajudar no diagnóstico de doenças (Thinkstock Images)
Uma dose altíssima de radiação instantânea pode causar a falência do sistema imunológico, enquanto a mesma quantidade distribuída em várias ocasiões não tem efeito danoso
Em pequenas doses, a exposição à radiação não oferece riscos à saúde: o corpo tem tempo suficiente para substituir as células que eventualmente tenham sido alteradas ou destruídas. Em doses extremas, é fatal: o desastre nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, o mais grave da história, matou 30 pessoas em apenas um mês e foi associado a 1.800 notificações de câncer de tireoide. O Japão atravessa agora a pior crise nucleardesde o acidente na usina soviética. O governo divulgou que pelo menos 20 pessoas foram expostas à radiação que escapou da usina Fukushima, mas não detalhou as circunstâncias ou a gravidade dos casos.
Chamada ionizante, a radiação emitida pelo combustível das usinas nucleares (em geral urânio ou plutônio) tem a propriedade de alterar a carga elétrica dos elementos das células humanas. A extensão dos danos à saúde depende da dose e do tempo de exposição e até da região do corpo atingida. Os pulsos, por exemplo, são mais resistentes à radiação. A medula óssea, ao contrário, é o órgão mais sensível.
Na literatura médica, o câncer é um dos problemas mais associados à radiação. Isso porque a radioatividade pode alterar o 'relógio biológico' das células, fazendo com que cresçam desordenadamente, formando tumores. Os tumores induzidos pela radiação não aparecem antes de 10 anos a contar das doses recebidas. Em caso de leucemia, o intervalo cai para dois anos. Esse período entre a exposição e o aparecimento do câncer é chamado 'período latente'.
Os cientistas ainda não têm dados precisos para determinar o risco de câncer associado a uma dada exposição à radiação. Mas existem estimativas. Sabe-se que baixas dosagens não estão relacionadas ao câncer, daí por que são normalmente seguros exames médicos como tomografia, raio-X e mamografia, segundo a Health Physics Society (HPS), uma organização americana especializada nos efeitos da radiação no corpo humano. Mas a partir de uma certa dosagem, a associação entre radiação e câncer aparece.
De acordo com estimativa da Sociedade Americana do Câncer, em um grupo de 100 pessoas, 42 irão desenvolver câncer ao longo da vida. Se o grupo for exposto a uma dose acumulada de 10 milisieverts (entenda o que é o Sievert), durante uma tomografia computadorizada, por exemplo, as mesmas 42 desenvolverão a doença. Mas, para uma dose acumulada de 50 milisieverts, 43 pessoas teriam câncer. A partir deste patamar, o risco aumenta 0,17% a cada 10 milisieverts de radiação.

O que é radiação ionizante?


Radiação significa a propagação de qualquer tipo de energia, como o calor e a luz. Normalmente, o termo ‘radiação’ se refere a um tipo que faz mal para os organismos biológicos, chamado radiação ionizante. Assim como a luz, é uma radiação eletromagnética, só que está além do espectro visível, acima da região ultravioleta. Durante a fissão nuclear ela é um dos tipos de radiação emitidos, além do calor. A radiação ionizante é capaz de alterar o número de cargas de um átomo, mudando a forma como ele interage com outros átomos. Pode causar queimaduras na pele e, dentro do corpo, dependendo da quantidade e intensidade da dose, causar mutações genéticas e danos irreversíveis às células.

O que é Sievert?


Sievert (Sv) é uma unidade que mede os efeitos biológicos da radiação - os efeitos físicos são mensurados por outra unidade, chamada gray (Gy). A dose de radiação no tecido humano, em Sv, é encontrada pela multiplicação da dose medida em gray por outros fatores que dependem do tipo de radiação, parte do corpo atingida, tempo e intensidade de exposição.
Radioterapia — Muito do que se sabe sobre os efeitos da radiação ionizante na saúde humana se deve à radioterapia, técnica aplicada no combate ao câncer que submete o paciente a doses controladas de radiação. “Na radioterapia, dividimos uma grande dose em várias sessões”, explica Artur Malzyner, oncologista do Hospital Albert Einstein. Pacientes com câncer de pulmão, por exemplo, recebem doses que se acumulam entre 2.000 e 3.000 milisieverts. Depois de 18 a 20 aplicações em regiões específicas do pulmão, a dose se completa em 50.000 milisieverts. Um ser humano pode morrer em poucas horas se seu corpo inteiro for exposto à 50.000 milisieverts. Mas, Melzyner esclarece, como as doses são localizadas, “apenas a região onde está o tumor é atingida”.
De acordo com Malzyner, o primeiro sintoma causado pelo envenenamento por radiação é a náusea. “É o efeito clínico mais comum”, diz Malzyner. Se a dose aumentar, a radiação começa a atingir outros tecidos humanos, em particular a medula óssea, responsável pela formação das células sanguíneas. “Em 30 dias a pessoa se torna anêmica e incapaz de se defender contra doenças”, diz o oncologista.
Entenda como a radiação ionizante pode afetar diferentes partes do corpo humano:
















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